O potencial capado da Apple

Não sei o que é pior: Produtos meia boca da Microsoft, as coisas lindas e capadas da Apple, ou botar todos os ovos na cesta da Skynet, digo, Google.


Desde que foi lançado o primeiro iPhone, uma briga acontece entre Adobe e Apple. O motivo, já exautivamente debatido, é o fato de a empresa da maçã não liberar o Flash Player em seus iPhones e iPods. Cansada de levar desculpas esfarrapadas na cara, a Adobe já anunciou que a próxima versão de sua Creative Suite terá um empacotador para iPhone, está com o Flash Player pronto há anos esperando apenas a aprovação de Steve Jobs, e sempre que pode toca no assunto.

Há alguns dias, Adrian Ludwig postou em um dos blogs da Adobe um texto a respeito dessa briga. Tentando por um fim à boataria que ronda este caso, o artigo de Ludwig esclarece alguns pontos a respeito dos quais muita gente já especulou sobre quais seriam os motivos de a Apple desprezar tanto o Flash Player. Entre eles, pagamento de royalties, performance e o tão hypado HTML5 são destrinchados em poucas palavras, levando a crer que, tecnologicamente, o pessoal do Loop Infinito não tem desculpa nenhuma para impedir que o Flash rode em suas traquitanas. Ele também dá exemplos de outras tecnologias que a Apple não permite, como Java, .net, Python, Ruby e Perl, além da instalação de aplicativos de terceiros.

Nos seis parágrafos que encerram o texto de Ludwig, ele discorre sobre a importância das tecnologias abertas a desenvolvedores, e do quanto a inovação tecnológica é estimulada quando se permite explorar o potencial dessas plataformas.

<!–break–>

Para os bons observadores, está claro o porquê da Apple barrar outras tecnologias em seus gadgets. Basta voltar ao início desta década, quando os primeiros iPods foram lançados, e ver o modelo de negócios que a empresa adotou desde então. A Apple gosta de ter total controle sobre o que fazer com suas crias. Steve Jobs, chamado de “narcisista produtivo” por alguns jornalistas do meio, é do tipo profeta, que sabe do que seu povo precisa e sobe à montanha, trazendo em seguida o produto perfeito (ou, que ele julga ser perfeito), de modo que ninguém pode meter a mão.

Isso torna os produtos vendidos pela Apple ruins? Claro que não, basta ver os números, o sucesso que eles fazem e todo o seu potencial. Um potencial capado, porém: precisavam ver a cara que eu fiz quando descobri que o Bluetooth do meu iPod touch não é um Bluetooth “de verdade”, em toda a sua glória, que permitisse trocar arquivos com o Renoir do namorado, ou qualquer outro dispositivo que aparecesse. Ainda hoje, mais de dois meses depois da compra, ainda me pergunto se foi uma decisão acertada não ter “jailbreakado” o bicho…

Quando o iPhone entrou no mercado, gente que nunca tinha ouvido falar em Apple ficou conhecendo a empresa, tudo graças ao grande potencial que o aparelho tem, mesmo com todas as restrições. Não havia na época outro telefone com uma experiência de uso tão amigável e fascinante – ou, pelo menos, com um hype tão grande sobre si. E então, o Google resolveu entrar na briga, e com um hype tão grande quanto o da Apple. No ramo dos “tablets-que-não-são-tablets” parece que também haverá uma guerra. A pergunta que não quer calar: com todas as restrições que a Apple pôs em seus produtos, irá ela sobreviver e se manter na liderança quando a próxima geração de gadgets chegar?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s